Passou sexta-feira, sábado e domingo. Chegou o primeiro dia de aula:
A sineta repercutiu por toda área com insistência, exigindo silêncio. Os alunos agruparam-se em filas paralelas no pátio.
Do alto de um palanque, numa pose imponente, própria de egocêntrico, o Diretor observava todos.
Andréa ouviu alguém reclamar atrás de si, enquanto os outros acompanhavam com risadinhas abafadas:
- Que absurdo! Só aqui essa palhaçada de fazer fila ainda continua! Pensei que a coisa pelo menos este ano fosse mudar!
- Que nada! – comentou outro em surdina.
- Isto aqui não evolui na base da comunicação! Que merda! Já falei pro meu velho que o ano que vem não volto aqui nem amarrado. Fila! Onde já se viu? Uniforme! Até parecemos manada na pastura! Nos outros colégios dá sinal e todos se dirigem calmos “pros” seus devidos lugares, sem precisar obedecer regulamento algum. Que merda, mesmo! Isto aqui nunca vai passar de “Grupinho”, dirigido por retrógrados! É complexo de superioridade, veja lá o velho, parece Hitler deliciando-se com a multidão! Esperando que ergamos os braços para saudá-lo. Se der chance vai ver como ele muda o modo de cumprimentar! Parece mesmo um urubu no toco! Agora ele faz um gesto e os cordeirinhos começam a andar. Sem esquecer-se de mover a cabeça feito burrinho de presépio quando passar por ele.
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