Os propósitos de Andréa eram idealistas e honestos. Estava ali por um princípio moral e construtivo, de cultura, de aprimoramento intelectual.
O pai matriculara-a naquele Instituto de Ensino para que ela concluísse o ciclo Colegial que havia sido interrompido.
Andréa tinha ideais e pretendia firmar-se numa profissão definida e segura. Entretanto não conseguia decidir que carreira iria abraçar. As sugestões dos pais quase nunca coincidiam com seus interesses, e ela mais perdia tempo fazendo poesias, do que a sonhar com títulos de Doutora em Odontologia, Medicina, Direito, que ilustrariam seu nome.
Na primeira manhã em que estivera no Instituto de Ensino, logo que a mandaram entrar no gabinete onde o pai conversava com o diretor a respeito do seu ingresso, pudera observar uma mulher que, por trás de uma escrivaninha, conferia fichários. Pudera observar, porque a outra, do lugar onde se encontrava não notara a presença dela.
Andréa fizera-se de absorta, olhar vagando disfarçadamente pela sala, para recair sobre a figura que lhe despertara atenção. Ela deveria ser da secretaria ou fazer parte da Diretoria do Colégio.
Andréa não precisava analisar a razão por que olhava para ela, pois tudo se resumia no fato de que estava vendo uma mulher muito bonita.
Em dado momento ela arrepanhara uma porção de pastas e deixara a sala. Andréa seguira-a com o olhar.
A voz do Diretor e a mão que pousou em seu ombro tiraram-na da abstração, percebendo que a entrevista fora encerrada com a advertência que o Diretor fizera:
- Então não se esqueça de trazer as fotografias. As aulas começam segunda-feira, dia dois de março.
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